Uma Carta ao Grupo City: Vocês Sabem Quem é o Bahia?
Uma Carta ao Grupo City
Grupo City,
Antes de tudo, quero dizer que respeito o trabalho de vocês e acredito que a chegada da SAF foi algo muito importante para o Esporte Clube Bahia. Trouxe investimentos, estrutura, organização e esperança de dias ainda melhores para o nosso clube.
Mas eu gostaria de fazer uma pergunta:
Vocês sabem quem é o Bahia?
O Bahia é do vendedor de laranja na esquina. É do vendedor de picolé que enfrenta o sol quente de Salvador. É do limpador de para-brisa nos semáforos. É da baiana de acarajé. É do segurança da loja. É do lavador de carros. É do cordeiro dos blocos de carnaval. É do trabalhador que acorda cedo e volta para casa cansado, mas encontra forças para acompanhar o seu time do coração.
O Bahia é do povão.
É da família humilde que tinha no domingo de futebol um dos momentos mais felizes da semana. Quando o ingresso da Fonte Nova cabia no bolso, sobrava um dinheiro para o filho comprar uma pipoca, para a esposa chupar uma cana-de-açúcar e para eu tomar uma latinha de Skin antes da bola rolar.
Nos dias de jogo, Salvador se vestia de azul, vermelho e branco. Os olhos das pessoas brilhavam. Era uma festa que tomava conta da cidade. Nos bairros da Liberdade, Boca do Rio, Periperi, Paripe, Plataforma e tantos outros, as bandeiras tricolores tremulavam nas janelas e nas ruas.
— "Meu Baêa vai ganhar!"
E depois da vitória, tinha gente que ia à Igreja do Bonfim agradecer por mais um triunfo do Esquadrão.
Sou do povão, Grupo City.
Sou da época em que muitas vezes faltava dinheiro para muita coisa, mas o valor do ingresso estava guardado, amassado no bolso da bermuda. E ainda sobravam algumas moedas para comprar um cachorro-quente na porta do estádio ou um saquinho de amendoim cozido.
Dentro da Fonte Nova, a gente se abraçava nos gols sem sequer conhecer a pessoa ao lado. Naquele momento, éramos uma só família.
Porque o Bahia não é apenas um clube.
O Bahia é um filho, um pai, um irmão, um parente querido. É amor. É paixão. É identidade. É pertencimento.
Talvez seja difícil explicar. Talvez nem existam palavras suficientes para definir o que sentimos. É algo que mora dentro da gente. É se emocionar ouvindo o hino. É sentir os olhos marejarem quando a torcida canta em uníssono. É carregar o Bahia na alma.
Ser Bahia é acreditar sempre.
É brocar o adversário. É voltar para casa feliz depois da vitória. É abraçar quem se ama. É chamar a esposa para sair e comemorar tomando uma Skin na moral, com o coração leve e cheio de orgulho.
Por isso, Grupo City, continuem investindo, profissionalizando e fazendo o clube crescer. Mas nunca esqueçam que, por trás dos números, dos contratos e dos projetos, existe algo muito maior.
Existe um povo.
E esse povo é o Bahia.
Saudações Tricolores.
De um torcedor do povão que ama o Bahia acima de tudo. 💙❤️🤍




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